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EDUARDO MAKINO

YANOMAMI

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SR. LORIVAL YANOMAMI

No meio da noite, um grito desesperado de um homem adulto. A lua cheia iluminava todo ambiente. Com um pouco de dificuldade, vi a silhueta de um homem agachado, no canto de uma grande arena redonda de terra, que tinha um teto de palha, era cercada por paredes do lado de fora, o lugar era o lar de diversas famílias que viviam lado a lado. Depois do grito, muitas lanternas se acenderam por todos os lados e iam para a mesma direção, formando uma grande dança de luzes. Observando de longe toda movimentação, escutava xamãs entoando cânticos seguidos de gritos de alguém que fazia muito esforço . Chegando mais perto para saber o que estava acontecendo, nos veio a notícia de uma mulher que estava muito doente e muitos estavam despedindo-se dela. Quase todos os xamãs estavam trabalhando para tentar salvá-la, enquanto o resto das pessoas observava sentados no chão. Dava para ver a preocupação nos rostos delas, e também de algumas não gostavam da nossa presença. O amigo que nos explicou o que acontecia também veio nos avisar que era melhor nos afastarmos para que não aborrecêssemos os espíritos. Voltamos para nossas redes e ficamos observando de longe. Depois de um tempo, os cânticos diminuíram...De repente, aparece no meio da arena a silhueta de um homem com um cajado andando devagar em direção as lanternas, era o Sr. Lourival, o mais poderoso dos xamãs da aldeia e pai da mulher doente. As lanternas abriram caminho para sua passagem e depois de um tempo as pessoas começaram a voltar pra suas casas. No dia seguinte descobrimos que a mulher estava melhor, mas Sr. Lourival estava com muitas dores nas costas e ficou na rede por alguns dias.

ARAKBUT

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Daniel Arakbut, morador de Boca Colorado no Peru, tem um barco que aluga para grandes viagens ou expedições. O barco se chama "AIPANA 24hs" e ele leva, como parte de sua tripulação, sua esposa/proeiro e sua filha/cozinheira. Fizemos uma viagem pelo 'Madre de Dios", um rio com uma praia de pedras arredondadas e águas transparentes no meio selva peruana. Às vezes, quando já estávamos acampados e todos já tinham ido dormir, eu acordava com alguém andando perto da minha barraca, achava estranho porque já era tarde. De repente, eu escutei a voz do Daniel e ele conversava com alguém em uma língua que eu não compreendia e percebi que só ele falava, não tinham respostas. Daniel parecia meio preocupado e a conversa durou uns cinco minutos. Escutei passos em direção ao barco e também escutei alguma coisa em outra direção. Abri a barraca, mas só vi o vulto do Daniel chegando no barco. Procurei a outra pessoa e não vi ninguém. No dia seguinte, perguntei a ele com quem estava falando e ele me respondeu:
- É um amigo e às vezes ele vem me visitar.
obs: estávamos a quilômetros de algum lugar habitado.

CORES